quarta-feira, 24 de março de 2021

Quem foi o místico Rasputin?


       No final do século XIX, um país ainda vivia sob o controle de uma monarquia absolutista, isso mesmo meus caros, absolutista. Se pensarmos que a maioria destes modelos de governo extremamente centralizados e envolvidos em uma figura real, já tinha se desmoronado em quase toda a Europa no início do século XIX. Entramos no século XX e o Império Russo era governado pela dinastia dos Ramanov e mais, devido à grande superstição que rondava a família real russa, um mago era figura frequente nos corredores do palácio de São Petersburgo, era o bruxo Rasputin. Segundo consta, devido a uma grave doença do herdeiro do trono russo – hemofilia – a czarista e esposa do czar Nicolau II buscou de toda forma controlar a doença do filho, como não existia uma cura naquele momento, o mago foi descoberto e colocado ao lado da família imperial.
    O que se sabe sobreo mago/bruxo é que desde a juventude, já demonstrava um comportamento peculiar. Nascido Grigori Iefimovitch Novikh, talvez na segunda metade da década de 1860, em um vilarejo na Sibéria, foi apelidado de Rasputin, possivelmente em decorrência de suas práticas sexuais na adolescência, já que o nome tem a mesma raiz que a palavra raspoutny, que significa depravação. Dentre suas práticas místicas incluíam-se a participação nas reuniões dos khlysty, membros de uma seita que unia religião e erotismo. Nos cultos realizados em igrejas abandonadas, homens e mulheres se entregavam a danças, com vestes transparentes, que acabavam quase sempre em transes e orgias. A trajetória deste camponês pobre siberiano, que depois de ter afirmado ter visto a Virgem Maria no campo e iniciado uma peregrinação por mais de dez meses, passando por vários mosteiros, proporcionando um pequeno conhecimento da escrita e também de práticas rituais religiosas, causou forte oposição dos nobres da corte do czar, em decorrência do poder que exercia sobre a família real.
    Como seus supostos poderes conseguiram de certa forma diminuir as dores de Alexis – nome do herdeiro – conseguiu adquirir alguns privilégios além é claro de palpitar na política russa, criando assim, vários inimigos que o consideravam um charlatão. Havia boatos que corriam entre a população que existia um romance entre Rasputin e a Czarina Alexandra, que nunca foi confirmado. De fato, os dois eram muitos próximos, causando mais ainda um cenário nebuloso. Sua morte foi planejada pela aristocracia russa, que desejava seu fim. É sempre bom lembrar que, a Rússia estava enfrentando uma grave crise econômica, social e política e para piorar, resolveu entrar na Primeira Guerra Mundial, assunto para outro momento.
   O assassinato do mago/bruxo também traz fatos curiosos, na noite de 29 para 30 de dezembro de 1916, o místico caiu em uma armadilha criada pelo príncipe Félix Iussupov, auxiliado pelo grão-duque Dimitri Pavlovitch, o deputado Purichkevitch, o tenente Sukhotin e o médico Lazovert. Em uma suposta festa na casa do príncipe, Rasputin sofreu algumas tentativas de envenenamento que não foram capazes de matá-lo, sendo os organizadores da ação homicida obrigados a alvejar de balas o mujique, e o jogar nas gélidas águas do Rio Neva, em São Petersburgo. Dois dias depois encontraram o corpo mutilado e coberto de gelo, mas com as mãos erguidas, como se estivesse tentando se soltar das cordas que o amarravam. A autópsia do corpo indicou a presença de água no pulmão, que funcionou como um reforço à fama de místico, pois mesmo envenenado e alvejado, a causa de sua morte havia sido o afogamento e o frio. Em 1917 a família dos Ramanov foi executada pelos revolucionários vermelhos, os bolcheviques.


Recomendação: Os Últimos Czares - Série documental. Netflix.

Texto adaptado
Por: Fernando Ribeiro
Fonte: PIPES, Richard. História concisa da Revolução Russa. 1990.


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