Para os supersticiosos, era uma maldição divina devido aos pecados humanos. Aqueles que não acreditam na ciência e na observação rigorosa da natureza, buscam entender alguns fatos (quase todos) justificando em teorias divinas. De fato, uma das maiores epidemias da história não estava relacionada com um tipo de castigo divino, mas sim com a realidade apresentada na Idade Média. A chamada Baixa Idade Média (X-XV) é caracterizada pela ressurgimento urbano e consequentemente com o crescimento comercial. Várias rotas foram criadas com objetivo de alimentar as cidades medievais, era necessário buscar produtos nas Índias - termo que se refere a região da China, Índia, Paquistão, Irã, Iraque - para comercializar na Europa. Não havia nestas cidades comerciais uma infraestrutura adequada, consta que era comum assistir as pessoas conviverem com o lixo e animais, local ideal para proliferação de doenças, foi o que aconteceu. Acredita-se que a enfermidade teve sua origem na Mongólia
e se espalhou pelo Ocidente através dos barcos que realizavam o comércio entre
Ásia e Europa.
Os relatos sobre a peste negra foram
registrados durante a guerra entre genoveses e mongóis travada na cidade de
Caffa (atual Teodósia), na Península da Crimeia, em 1346. Ao ver que os mongóis muçulmanos morriam,
os genoveses católicos atribuíam à doença à justiça divina, pois era um sinal
inequívoco que Deus estaria do lado dos cristãos. Quando a contenda acaba, os genoveses
voltam à Península Itálica levando a bordo ratos que hospedavam pulgas e eram
elas que transmitiam a bactéria da doença. Outro caminho de propagação foi a
Rota da Seda por onde passavam as caravanas vinda do Oriente em direção aos
mercados europeus. Esses ratos entrarão em contato com seus
pares europeus e assim é disseminada a enfermidade a partir de portos como
Veneza, Marselha, Barcelona, Valência, etc. A contaminação era muito rápida e a morte bem sofrida. Para se ter uma ideia, uma única pessoa contaminava uma cidade inteira. Cerca de 25 milhões de pessoas morreram, isso significa 1/3 da população europeia. Fato importante é que a peste negra na verdade é uma evolução da peste bubônica, isso aconteceu devido ao ambiente propício que já foi relatado acima. Os sintomas da peste negra eram parecidos
aos de uma gripe muito forte, porém com a importante diferença que os gânglios
inchavam. Então, apareciam na pele protuberâncias que se pareciam aos bulbos
das plantas. Por conta disso, a enfermidade também recebe o nome de "peste
bubônica".
Ao lado, uma vestimenta de médicos, acreditava que este estilo de máscara protegia da contaminação. Outro fato é que alguns médicos descobriram que o fogo era algo que de certa forma, protegia da contágio, assim muitas pessoas viviam sempre rodeados de fogueiras, principalmente autoridades reais e religiosas, isso mesmo, é sempre bom lembrar que doenças não escolhem cor e nem classe social. Destacamos também o termo quarentena, tanto usado nos dias atuais devido a pandemia da Covid-19. Segunda consta, o termo surgiu na França, devido a peste. Quando a doença estava no auge do contágio, as autoridades francesas obrigavam os navios mercantis a ficarem ancorados no mar antes da mercadoria ser deixada nos portos, este tempo era de 40 dias. Na Europa, as medidas de quarentena foram
pioneiras. Frente ao número assustador de mortes diárias, cada cidade estipulou
uma organização baseada nas informações e condições presentes na época. Assim,
o continente tornou-se uma referência, ou seja, a quarentena funcionou.
Voltando a superstição e o tal castigo divino, era comum assistir pessoas se alto flagelando, pois acreditavam que desta forma, conseguiram o perdão de Deus e consequentemente o fim da doença. Bom, ainda bem que existiam pessoas que através de estudos e observações conseguiram criar medidas para controlar a doença. Durante muitos anos, a peste negra foi o grande medo da humanidade, opss, da Europa e Ásia, pois a América e a Oceania ainda viviam em anonimato.
Em alguns aspectos, a realidade da Idade Média não é distinta da atual: discurso religioso, superstição, medicações sem comprovação, falta de conhecimento. Durante muito tempo, a peste foi o maior assassino da história, posto este perdido em 2020.
Sugestão de documentário
Fonte: LEGOFF, Jacques. Por amor às cidades. São Paulo: Unesp, 1998.


