sexta-feira, 28 de maio de 2021

O REI SANGUINÁRIO DA BÉLGICA

 

        Quem foi o maior ditadorou genocida da história? Hitler? Stalin? Mussolini? A disputa é interessante, mas neste caso, irei incluir o rei belga Leopoldo II, menos discutido dentre os três citados. Acredito que haja mais líderes que provocaram milhares de mortes na história, porém neste texto, iremos expor um pouco a história do monarca que ordenou a escravidão e matança do povo de Congo.

            Fruto do segundo casamento de Leopoldo I da Bélgica, bem como o segundo filho da realeza. Após o primeiro casamento, seu pai acabara por perder a esposa, assim como o primogênito no parto. Leopoldo II nasce, então, no ano de 1835. Mesmo sendo o segundo filho da realeza, ele consegue assumir o trono. Leopoldo ainda teria um terceiro irmão, Filipe, este pai do futuro Rei Alberto I, da Bélgica. O futuro rei sanguinário ainda se casaria no dia 22 de agosto de 1853, em Bruxelas. O matrimônio com a Arquiduquesa Maria Henriqueta da Áustria concebeu quatro filhos ao casal.

        O século XIX foi marcado dentre várias revoluções – conhecido inclusive como século das revoluções segundo Eric Hobsbawn – como o período do auge imperialista conduzido pelas potências europeias. Neste caso, o continente africano foi repartido e explorado. A Bélgica não ficou fora e Durante o Reinado de Leopoldo II, variadas medidas polêmicas foram instituídas. A maior delas foi o regime sanguinário implementado na colônia africana que hoje conhece-se como República Democrática do Congo.

Antes denominada como Estado Livre do Congo, as medidas promovidas por Leopoldo eram consideradas revoltantes. Tidas, inclusive, como um dos escândalos nacionais mais indignos durante o fim do século XIX. A grande polêmica dizia respeito por ter sido atribuído ao Rei dos Belgas a responsabilidade pelo genocídio local. Durante as expedições para coleta de borracha, sobretudo, estima-se que foram mortos mais de 100 congoleses a sangue frio.

         Durante o período em que instituiu uma matança desenfreada no Congo, Leopoldo se proclamava como o Soberano Livre do Congo. Ocorrendo uma dizimação sem precedentes, o Rei ainda instituía punições severas aos escravos do local. A pena para os que não coletassem borracha suficiente seria a de decepar partes das mãos e braços. Caso a meta não fosse alcançada em um dia, a mão seria amputada, se voltasse a acontecer, o antebraço teria o mesmo fim.

Por esses e outros motivos que Leopoldo II, em seu discurso e atitudes, é muito comparado a Hitler por historiadores. Um fato interessante aconteceu em 2020, quando a estátua em homenagem ao rei em Bruxelas foi derrubada por grupos antirracistas. O grupo chamado "Vamos reparar a história" exige a retirada do espaço público, em Bruxelas, de todas as estátuas de Leopoldo II. Os signatários desta petição acusam o ex-monarca de ter "exterminado" milhões de congoleses.

Por: Fernando Ribeiro.

Fonte: HOBSBAWM, Eric J. Nações e nacionalismo desde 1780. São Paulo: Editora Paz & Terra, 2012.