segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Conde D'Eu e a Guerra do Paraguai.

    Louis Philippe Marie Ferdinand Gaston, Príncipe de Orléans e conde d’Eu, nasceu em Neuilly, em 28.04.1842, filho do duque de Nemours, que era um homem muito rigoroso e severo. Ainda criança, em 1848, seu avô, o rei Luís Filipe, foi deposto e exilado com a família, em Londres. Lá, o jovem conde recebeu educação rigorosa: intelectual, moral, religiosa, física (ginástica, equitação, vertigem, banho gelado, natação em rios gelados). Em Edimburgo, fez a high school. Os Orléans produziram gerações de guerreiros pela honra (um Orléans não foge à luta) e pela pátria (na guerra da Argélia), inclusive alheia (o duque de Penthièvre e o conde de Paris lutaram na guerra civil americana). Dizia-se que os Orléans não têm medo e têm o diabo no corpo. (Aliás, seguindo essa tradição familiar, os filhos de Gastão, no exílio, também seguiram carreira militar na Europa, sendo que dois deles lutaram na 1ª Guerra Mundial.) A princesa Isabel foi prometida ao então conde, assim os laços entre França e Brasil seriam selados. Os brasileiros nunca viram o Conde D’Eu com bons olhos, sempre se referiam a ele como o “francês”, existia no país um certo medo de que o conde assumisse o poder após a morte de D. Pedro II, no Terceiro Reinado. Isso se confirmaria nas atitudes da herdeira, pois só tinha olhos para a religião. Uma ótima oportunidade de se consagrar para o imperador e para a população brasileira seria na Guerra do Paraguai. Desta forma, em 1869 o genro do imperador foi enviado para o front, com o objetivo simples, finalizar a guerra e capturar o ditador Solano López. O clima era tenso aos pés da cordilheira paraguaia em agosto de 1869. A guerra estava praticamente ganha, mas por desejo de D. Pedro II, o exército brasileiro seguia em busca da cabeça – de preferência viva – do “tirano” Francisco Solano López. Às vésperas da última grande batalha do conflito, a de Campo Grande, um impaciente Gastão de Orléans, administrava seus homens e se mostrava insatisfeito por não ter surpreendido o inimigo em Ascurra, quartel-general dos perseguidos. A caça continuava. Alguns relatos paraguaios e de brasileiros é que o conde estava fissurado na ideia de destruir a nação paraguaia e para isso algumas táticas consideradas crimes de guerra foram utilizadas, segundo as ordens de D’Eu. Aprisionamento de crianças paraguaias; execução de mulheres e idosos. Uma das batalhas mais tristes desse conflito ficou conhecido como a Batalha de Acosta ñu, quando várias crianças paraguaias foram enviadas para o front, sem perceber, o exército brasileiro dizimou-o.
    Faltava a captura do ditador, que foi feita em 1 de março de 1870, em Cerro Corá, território paraguaio, “morro com minha pátria”, disse Solano antes de ser alvejado por um soldado brasileiro. Conde D’Eu recebeu os méritos por ter guiado o exército a vitória. Existe um ditado entre as mães paraguaias até hoje, mencionado o conde D’Eu como uma forma de ameaça a seus filhos, “Cuidado, o Conde D’Eu vai te pegar!”. Por Fernando Ribeiro Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional, edição 97, 2013.

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