terça-feira, 13 de abril de 2021

O rei D. Sebastião - o desaparecimento e o mito.

 


         Sabemos que os portugueses são extremamente cristãos, a sua história prova isso, mas esperar por um rei até os dias atuais, já é demais. Existe uma crença em Portugal desde o século XVI, conhecida como Sebastianismo, no qual o rei D. Sebastião – o Desejado; o encoberto; o Salvador da pátria – voltaria para o reino português nos braços do povo, que tanto te espera.

       A história o rei D. Sebastião começou quando no início do século XVI o rei João Manuel morreu subitamente, um fato até então normal, até os príncipes morrem, porém neste caso, até seus irmãos tinham morrido. Um problema surgiu, a sucessão portuguesa. O que se sabe é que um dos filhos do falecido rei, que também veio a falecer (o destino foi cruel) deixou a esposa grávida e com isso, um herdeiro nobre para assumir o trono. Após várias vigílias e orações, o parto foi bem sucedido, nascia assim, D. Sebastião, rei de Portugal e Algarves. Até atingir a maioridade, regentes nobres tomaram as decisões de Portugal. Tanto a educação de D. Sebastião quanto o governo de Portugal foram marcados pela forte presença da Igreja, especificamente dos jesuítas. A inquisição foi consolidada e as colônias ganharam bispados. Aos 14 anos, D. Sebastião alcançou a maioridade e assumiu o trono.

       Com a mania de nobre, D. Sebastião se lançou nas guerras de conquistas, também conhecidas como Cruzadas. Em uma dessas batalhas contra os mouros no norte da África, o jovem rei desapareceu. Dizem que a última frase de Sebastião no campo de batalha, antes de liderar um ataque desesperado contra o exército inimigo, teria sido: “Senhores, a liberdade real só há de se perder com a vida”. E então, teria investido seu cavalo contra as linhas inimigas.

      De fato, ninguém sabe o que houve de verdade com o rei, até porque o corpo nunca foi encontrado. E o que não faltaram foram boatos e conversas sobre o que teria sido do Rei perdido. Teve quem viu ele morrer, teve quem viu ele fugir, teve quem encontrou ele em Veneza anos depois, teve quem fingiu ser o rei desaparecido.

     Infelizmente para o povo português o rei nunca voltou e pior, não deixou herdeiros. O tio-avô, D. Henrique, assumiu o trono, mas acabou morrendo em dois anos. Enquanto os portugueses ainda lamentavam sua perda, a nobreza europeia disputava o comando do país e suas colônias. Afinal, havia muitos nobres portugueses espalhados pelas cortes. Nesta disputa, o rei espanhol Felipe II – que apresentava parentesco com o rei sumido – levou a melhor e uniu as duas coroas ibéricas. Durante 60 anos, houve o que ficou conhecida como União Ibérica, Portugal controlado pelos espanhóis, para o povo português, uma vergonha e humilhação. Sem dúvidas, este fato potencializou a imagem, o nacionalismo e a crença da volta de D. Sebastião, o salvador da pátria.

      O sebastianismo é uma crença real na atualidade, acredita-se que centenas de portugueses acreditam na volta do rei que para muitos, é santo. Existe inclusive uma igreja que promove cultos religiosos em referência ao rei/santo/salvador D. Sebastião. Não é de se duvidar das crenças portuguesas, não é hoje que este povo acredita em maldições, premonições, milagres divinos, basta investigar a sua história.

Por Fernando Ribeiro

Fonte: MARTINS, Oliveira. História de Portugal. São Paulo: Editora Vercial, 2010.


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